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terça-feira, julho 21, 2015

Arena Educacional

Educação na arena competitiva


Seja globalização, internacionalização ou somente fusões e aquisições, o fato é que o segmento educacional está em pleno movimento de consolidação. O mesmo já foi visto em relação aos bancos. A exemplo do que aconteceu no setor financeiro, a tendência é que também as grandes redes de educação continuem a buscar músculos, numa escala sem precedentes. Segundo estudos mais recentes, escolas com menos de 400 alunos tendem a desaparecer. Darão lugar a redes maiores ou se engajarão em sistemas de cooperativas, franquias, parcerias e outros...

Com o mercado educacional se abrindo a cada dia, o surgimento de novos protagonistas na arena competitiva alterou, e tende a alterar ainda mais, o cenário e as práticas de gestão do segmento. A entrada de competidores, como as consultorias, o Ensino a Distância – EAD, as universidades corporativas, as escolas-empresa internacionais e investidores de risco, apoiados por outras variáveis como a expansão das telecomunicações, o avanço da indústria do entretenimento e da tecnologia da informação, colocam em xeque as práticas pedagógicas e o modelo de gestão vigente.

Esse movimento abre espaço para a inovação, a criatividade e a profissionalização. Adaptar modelos estruturais utilizados em outros segmentos, pode, nesse aspecto, ser um passo no sentido da agilidade e da queima de etapas. Um conceito interessante a ser adotado, por exemplo, pode ser o do Shopping Cultural, desenvolvido por uma empresa mineira de consultoria em gestão educacional. Nele, o relacionamento da instituição educacional com a comunidade e a transformação de áreas tradicionais como laboratório de informática e cantina em cybercafé e praça de alimentação, respectivamente, são apontados como boas oportunidades de inovação. A questão básica, entretanto, é que deve haver, numa escalada crescente, a instituição de novos paradigmas, apoiados em ferramentas profissionais de gestão.

Por outro lado a oferta de novos produtos e a melhoria na prestação de serviços auxiliares que facilitem a vida dos clientes é um fator significativo na luta pela diferenciação. Haja vista o crescimento dos MOOC’s (Massive open online courses).

Um arsenal de técnicas e ferramentas de Marketing e Recursos Humanos terá que ser mobilizado, portanto, para ajudar os gestores a construir uma estratégia vencedora. Processos seletivos tecnicamente competentes; programas de capacitação sistematizados e remuneração baseada em competências e resultados são algumas armas desse instrumental. Ousadia gerencial: esse o novo nome do jogo.


A camisa-de-força do tradicionalismo que envolve as lideranças do segmento precisa ser deixada de lado. Para isso existem recursos que podem auxiliá-las nessa transição. Consultorias especializadas e mentores profissionais podem contribuir significativamente no processo. Resta, entretanto, a vontade para dar o primeiro passo... e nesse particular é bom dá-lo logo pois os novos concorrentes já iniciaram essa caminhada.

segunda-feira, junho 01, 2015

Educação e tendências de consumo

A importância das tendências de consumo na gestão das escolas

Marcelo Freitas



A necessidade crescente de produzir melhorias na qualidade dos serviços que presta tem feito com que, cada vez mais, as escolas sejam geridas com maior profissionalismo. Nesse particular seus gestores demandam, também em escala crescente, ferramentas que possam lhes oferecer informações confiáveis, pertinentes e relevantes. Esses instrumentos de gestão, a exemplo do que acontece com empresas de outros segmentos, são de fundamental importância para o planejamento de curto, médio e longo prazos. Contribuem com inestimável valia na perspectiva de ajudar o gestor a vislumbrar tendências e cenários que, eventualmente, possam impactar o mundo da educação.

Mas esses instrumentos, sozinhos, não podem cumprir o papel de qualificar a gestão da escola ou agregar valor aos seus serviços. É importante que os gestores façam a sua parte. Olhar à sua volta com olhos críticos e fixar um ponto no horizonte à sua frente é uma atitude que em muito contribui nessa tarefa. Entender as mudanças sociais, tecnológicas, ambientais e tantas outras é fundamental para perceber o caminho que os consumidores estão trilhando e em quê estão se baseando para tomar suas decisões de compra. E é nesse momento que surgem as chamadas tendências de consumo.

Uma tendência de consumo pode ser definida como sendo uma nova manifestação entre os consumidores – no comportamento, na atitude ou na expectativa – de uma necessidade humana fundamental, um desejo ou uma vontade. Ao se atentar para as tendências de consumo pode-se melhor identificar demandas emergentes, ainda não atendidas. Um novo comportamento. Uma nova atitude ou opinião. Uma nova expectativa. Qualquer um deles pode ser base para uma tendência de consumo. E elas são particularmente importantes quando buscamos inovar, antecipar ao mercado e projetar situações que poderão impactar diretamente o negócio.

O segmento educacional tem sido, nos últimos anos, atingido frontalmente pelas mudanças do ambiente, por uma nova maneira de olhar o mundo e, principalmente, por uma forma diferente das pessoas tomarem suas decisões de compra. O Ensino à Distância – EAD, por exemplo, é a maior prova disso. Ele emergiu a partir do momento em que as pessoas estão dando grande valor à comodidade, à flexibilidade e à simplificação dos processos. Isso fez mudar hábitos de compra em outros segmentos e, como decorrência, também na educação. Antes, para assistir uma aula ou participar das atividades de aprendizagem, era preciso ir à escola. Com o advento da revolução tecnológica e a disponibilização de facilidades para se executar tarefas à distância (como pagar contas e requerer uma segunda via de documentos), essa facilidade foi também incorporada pelos consumidores que compram serviços educacionais e/ou realizam tarefas como adquirir conhecimentos.

No caso dos gestores educacionais, entretanto, é preciso atenção para distinguir os modismos das tendências. Os primeiros são passageiros. Vão e vêm. Já as tendências, emergem e se desenvolvem. Isso quer dizer que elas surgem quando uma mudança externa desbloqueia novas maneiras de atender antigos desejos e necessidades humanas. Na verdade elas apontam direções e caminhos.

Outro fato corriqueiro nos processos de gestão é confundir tendências com pesquisas. A pesquisa de mercado tradicional é essencialmente um olhar para trás, uma vez que é realizada a partir de dados colhidos sobre hábitos de consumo já praticados, no presente ou no passado. E mais: a pesquisa é normalmente limitada pelo que os próprios consumidores conseguem articular sobre suas necessidades, seus desejos e comportamentos. Ou seja, elas não conseguem olhar muito além do que a sua realidade apresenta, porque o próprio consumidor muitas vezes não tem ideia do quanto as coisas poderiam ser diferentes. Um bom exemplo é nos lembrarmos do que inovadores como Henry Ford a Steve Jobs pensam a respeito. É oportuno ressaltar que dados são importantes e podem dar suporte à análise de tendências, porém, não são verdades em si mesmos.

A grande vantagem em vislumbrar as tendências é que a educação é um processo de longo prazo e a validade dos seus serviços, na maior parte dos casos, só será constatada anos depois. Nesse particular, como lidar com as tendências de consumo, se novos produtos, serviços e campanhas em geral não deixam de ser “apostas no futuro”?  A resposta é que, de uma maneira ou de outra, hábitos de consumo modelam a maneira pela qual se toma decisões de compra e, mais que isso, ajudam a entender o processo que leva a essas decisões. Os valores e o tipo de conhecimento que integram esse processo são particularmente importante não só para trabalhá-los nos processos de desenvolvimento pessoal mas também para promover inovações. Estas, por sua vez, trazem no seu bojo rupturas significativas que podem demandar novos conhecimentos, habilidades e atitudes. E isso tem tudo a ver com a educação.

O fato é que seja qual for a ferramenta adotada pelo gestor, é sempre bom lembrar que há muitas variáveis envolvidas no trabalho de avaliar tendências. Nesse aspecto, o bom gestor deverá centrar foco, não só nas tendências em si, mas principalmente nas oportunidades que elas sinalizam. Tendências são apenas sinais e caminhos que, no fundo, servem a um propósito maior: a busca por inovação.

Para uma escola, tanto na ótica da gestão quanto do produto, conhecer as demandas futuras implica antecipar medidas gerenciais, criar modelos de funcionamento e oferecer diferenciais que considerem as ofertas de valor como ponto principal de decisão de compra. É aí que a escola ganha competitividade e se torna proativa.

Mas quais tendências usar? Quando usar? Bem... Isso depende de você, caro gestor! Comece por conhecer bem sua própria marca, os valores que ela pretende transmitir, seu público e o seu projeto educativo, suas capacidades e potenciais consumidores. Adapte-se à tendência de acordo com isso e deixe que as necessidades e desejos emergentes dos consumidores sejam sua âncora.

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

A Escola Responsável e a sustentabilidade energética

Por Marcelo Freitas

A situação crítica de abastecimento de energia elétrica que explodiu logo no início deste ano não é consequência apenas da falta de chuvas. Esse fator só fez agravar a situação. Durante as últimas décadas o crescimento populacional, as necessidades de irrigação da agricultura e maior utilização da água nas indústrias, aumentaram o consumo desse precioso líquido. Como este é também o principal combustível de nosso sistema elétrico e não houve um aumento proporcional da capacidade de armazenamento dos reservatórios das hidrelétricas, a matemática da água não fecha: a vazão de nossos rios tem que atender a uma demanda cada vez maior de usos não energéticos. Esses fatos são mais evidentes em regiões mais densamente povoadas, como o sudeste.

Além da população amplamente afetada, as empresas também o são. E nesse caso, as escolas não fogem à regra. Sabemos também que existe uma crescente cobrança da sociedade para que as empresas atuem de forma responsável, do ponto de vista da utilização de seus recursos, entre eles, os energéticos. Acontece, porém, que é justamente nas salas de aula que nossos jovens aprendem sobre sustentabilidade. Mas integrar ações de cidadania empresarial à estratégia de gestão das organizações, e em especial das escolas, tem sido um exercício de amadurecimento contínuo.

Nos segmentos produtivos da cadeia empresarial essa mudança de consciência tem se alastrado em ritmo mais acelerado mas, no caso das escolas, ele precisa ser intensificado, pois assume ares de condição. Pressuposto do seu cotidiano e ponto indispensável no seu mapa estratégico, pois é ali, na escola, que preparamos as novas gerações.

E educação é, reconhecidamente, o melhor caminho para oferecer respostas a problemas como a preservação ambiental e as desigualdades sociais, a má utilização dos recursos naturais e públicos, a formação da consciência em relação ao meio ambiente, à ética e à biodiversidade.

Nesse particular, com seu potencial técnico, experiência no campo da pesquisa e capacidade de multiplicação, as instituições educacionais podem, e devem, contribuir mais incisivamente para o desenvolvimento sustentável. Elas têm de assumir seu papel de agente de transformação cultural. Devem, portanto, praticar a chamada “gestão responsável”.

Nessa perspectiva, o Movimento Escola Responsável[1] vem buscando articular iniciativas e projetos que ajudem efetivamente as escolas a transpor obstáculos e vencer desafios no sentido das práticas de cidadania corporativa. E o projeto mais recente foi justamente buscar alternativas para a eficiência energética das escolas.

Mas o que é eficiência energética? A eficiência energética consiste em obter o melhor desempenho na produção de um serviço com o menor gasto de energia possível. Como exemplo de ação nesse sentido está a modernização de equipamentos e processos de uso de energia alternativa, como a energia solar e eólica. Os programas voltados para o consumo consciente também contribuem para a economia.

Um bom projeto de eficiência energética é um conjunto de medidas bem definidas que, quando implantadas, levarão a uma redução, previamente determinada, dos custos de consumo de energia.

E no caso das escolas, como isso pode ser feito? Para auxiliar as escolas a desenvolver esse tipo de ação, que envolve serviços de simulação computacional, estudos de iluminação natural, conforto térmico, sombreamento, consumo e custos operacionais e de viabilidade técnica da utilização de energias renováveis, o Movimento Escola Responsável buscou uma parceria competente e certificada nessa área, de maneira que as escolas possam ser orientadas a respeito. Através da parceria, as escolas podem ter uma avaliação das possibilidades de redução do consumo e, consequentemente, dos seus custos com energia.

A parceria viabiliza e elaboração de um projeto de eficiência energética para as escolas interessadas em reduzir seus gastos com energia. Esses projetos envolvem ações em diversas etapas, como avaliação do desempenho energético da escola, a identificação e comparação de soluções e cenários e ainda a implementação de soluções e estratégias, sempre objetivando proporcionar a redução do consumo e o uso racional de energia para diferentes tipos de utilização. Através de normas de desempenho e certificações, por exemplo, podem-se verificar os níveis de desempenho ambiental, eficiência energética e sustentabilidade atingidos por uma edificação.

O projeto, em resumo, aponta sugestões de viabilidade tecnoeconômica de implantação, incluindo as especificações técnicas, o “project finance”, equipamentos, materiais e serviços. Além disso, é possível agregar o gerenciamento do projeto, com o processo de implantação dessas ações, e a gestão dos resultados, após o término das intervenções.  Tudo isso mantendo-se intacta as atividades da escola e a qualidade dos serviços educacionais.

Assim sendo, qualquer escola pode ser beneficiada com um projeto de eficiência energética, seja através de melhorias nas suas instalações seja na adequação de seus procedimentos. Aquelas escolas e redes de ensino que desejarem, poderão entrar em contato[2]  para obter maiores informações e acertar os detalhes.

É importante ressaltar que a execução dos projetos envolve uma alternativa inteligente que permite que todas as ações sejam feitas com recursos de investidores, que serão ressarcidos a partir da geração de resultados que o projeto apresentar e a consequente redução do valor das contas de energia elétrica.

Gerir a escola de maneira socialmente responsável, portanto, é buscar sua sustentabilidade de forma coerente com princípios éticos e com a construção de práticas socioambientais sustentáveis. A execução de ações desse tipo por parte da escola, além de reforçar sua imagem institucional e usufruir dos resultados intrínsecos das ações, traz no seu bojo a coerência e a credibilidade em relação ao que se ensina em sala de aula. E nada melhor que pautar o ensinamento pelo exemplo.

Trata-se, portanto, de um imenso campo de oportunidades de ação para as escolas. Não seria nada mal para a escola liderar esse movimento e contribuir para o desenvolvimento sustentável do planeta, não é mesmo? Isso é uma escola responsável.



[1] www.escolaresponsavel.com
[2] Basta entrar em contato através do email: contato@escolaresponsavel.com, informando que o assunto é eficiência energética.

terça-feira, dezembro 30, 2014

 Jogando com a educação

Marcelo Freitas

Seja como projeto, negócio ou processo, a educação está diante de uma realidade que a coloca frente a frente com inúmeros desafios. E ao invés de olhar a situação como ameaça, prefiro ver o leque de oportunidades que se descortina. Um relatório[1] sobre tendências, cujo trecho transcrevo a seguir, apresenta a realidade do ponto de vista empreendedor, ou seja, como negócio:

“Até o momento, muitos consumidores das Américas do Sul & Central se resignaram com a falta de acesso a novas ideias, conhecimento e educação formal e de qualidade; que, para a maioria dos cidadãos, tem um custo muito elevado.

Mas a realidade está mudando: o mundo digital colocou uma quantidade infinita de informação ao alcance de todos; os empreendedores se tornaram os novos “superstars”; e a nova e mais bem educada classe-média agora busca desenvolvimento e realização pessoal continuada.

Dois sinais dos tempos:

Em comparação com os consumidores internacionais, os consumidores das Américas do Sul & Central são os que mais valorizam o ensino superior: 94% dos brasileiros acreditam que o acesso ao ensino superior é vital; seguidos por 92% dos mexicanos, 92% dos chilenos e 91% dos venezuelanos – contra a média global de 78%. (Nielsen, setembro de 2013)

6 entre os 10 países em que os consumidores estão mais inclinados a comprar produtos e serviços produzidos por empresas que apoiam a educação se concentram nas Américas do Sul & Central (Colômbia: 90%, Brasil e Venezuela: 88%, Peru: 87%, Chile 83%). (Nielsen, setembro de 2013)”.

Educação, portanto, é a oportunidade da vez e os consumidores estão ávidos por qualidade e inovação. Eis aí um mercado e tanto para quem deseja navegar em oceanos azuis. E de olho nele estão novos entrantes, como as empresas de entretenimento e tecnologia. Gameficação e MOOC’s não estão aí por acaso.

Por outro lado, reconhecemos que a oferta de serviços educacionais, tanto no seu formato quanto no conteúdo, já não mais atende às expectativas da sociedade em franca mudança de paradigmas. Algumas das principais premissas desta nova realidade educacional já apresentamos em palestras e artigos anteriores, mas não custa nada lista-los aqui:

·        Dos horários fixos para as atividades dinâmicas;
·        Dos conhecimentos adquiridos dentro da sala de aula para aqueles obtidos fora da escola;
·        Do conhecimento teórico ao conhecimento aplicado na prática;
·        De respostas certas às perguntas abertas;
·        De problemas fictícios para os desafios reais;
·        Da aprendizagem passiva para uma participação ativa;
·        De aprender com a cabeça para aprender com o corpo inteiro;
·        De trabalhos individuais para a solução de problemas em conjunto;
·        Do professor como especialista onisciente para o professor como facilitador;
·        Da sala de aula formal a oficina experimental.

Diante de todo esse cenário, tenho apresentado aqui neste espaço algumas experiências inovadoras que acontecem mundo afora, sejam elas em escolas particulares, fundações, projetos de empresas ou na própria escola pública.

Uma delas, que considero interessante por unir várias das características e tendências citadas anteriormente, é o da Quest to Learn (Q2L).

Quest to Learn é um colégio público de Nova York. É, nas palavras dos responsáveis pelo projeto, “a primeira escola do mundo a ter 100% de seu currículo baseado em jogos”. “Não somos uma escola dirigida pela tecnologia, mas pelo engajamento”, afirma Waniewski. Para o pesquisador Tupy, da USP, “os recursos eletrônicos não são o fim e sim um meio para desenvolver temas como gestão de projeto, inovação, empreendedorismo”[2]. A Quest to Learn vem tendo os melhores resultados do sistema educacional de Nova York, segundo a matéria da revista Época Negócios.

Como boa parte das pessoas já percebeu, o sistema escolar tradicional, baseado na memorização, molda crianças para empregos tradicionais. Com os games, o objetivo é prepará-las para trabalho em equipe, soluções criativas, gerenciamento do tempo e estímulo ao pensamento independente, padrões e necessidades das novas empresas.

Ao entrarem na escola, cartelas com dez mandamentos necessários para desenvolver soluções criativas e conviver com os demais membros da comunidade são distribuídas aos alunos. Veja quais são esses mandamentos:

  1. Todas as ideias podem ser melhoradas: Fique aberto às mudanças e às oportunidades de tornar suas ideias melhores.
  2. Diversidade cria equilíbrio: Ser diferente é ok. Suas características únicas ajudam a tornar a equipe mais forte.
  3. Vença e perca com elegância: A derrota dá oportunidade de melhora, a vitória comprova o acerto;
  4. Tenha respeito pelos próximos: Todos são importantes para a manutenção de uma comunidade coesa e equilibrada.
  5. Colaborar faz diferença: Duas cabeças pensam melhor que uma. Nós precisamos do apoio e das ideias dos outros para vencer.
  6. Entre no jogo: Não tenha medo de sujar as mãos! Aprenda a calcular os riscos e a planejar a sua estratégia.
  7. Experimente: Use sua imaginação e criatividade para inventar; use os recursos da escola para dar vida às suas ideias.
  8. Ninguém fica à margem: Todos devem lembrar um ao outro por que fazem parte da equipe e como são importantes para ela.
  9. Seja persistente: Defenda a ideia em que você acredita e não desista. Se você cair, levante-se e tente novamente.
  10. Lidere pelo exemplo: Demonstre o comportamento positivo que você gostaria de ver nos outros. “

Será que é tão difícil assim?




[1] http://trendwatching.com/pt/southcentralamerica/trends/5trends2014/
[2] http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Acao/noticia/2013/12/uma-escola-feita-so-de-recreio.html

quinta-feira, outubro 16, 2014

mundo digital

Brasil digital

Como será o Brasil digital nos próximos 10 anos?  De acordo com previsão de uma pesquisa online com 505 adultos brasileiros, de ambos os gêneros e com idades entre 21 e 65 anos.
Fonte: Estudo da MSI e McAfee.


terça-feira, outubro 14, 2014

Empreender

Ensinar a empreender

Esse artigo foi bastante comentado na revista Gestão Educacional. O que você acha? Clique aqui e acesse o conteúdo da publicação.




Tecnologias e Competências

Tecnologias, saberes e competências.
Por Marcelo Freitas

Muito se fala a respeito da educação para o século XXI. Novidades e avanços, em particular no campo da tecnologia e dos seus impactos na vida das pessoas, impulsionam ainda mais o debate em torno do tema. Ao mesmo tempo, a falta de sintonia e o descompasso entre a vida real e a entidade “escola” fica cada vez mais patente. Alunos de todos os níveis consideram a instituição educacional “um saco”, um lugar onde não gostariam de estar.
 
Trazendo luz ao debate, a Fundação Telefônica ouviu milhares de especialistas mundo afora e publicou, recentemente, o resultado dessa pesquisa. O trecho a seguir resume as principais conclusões e merece ser destrinchado com refinamento:

“A sociedade de hoje requer indivíduos criativos, empreendedores, críticos, familiarizados com o mundo digital, que se comuniquem bem e que se adaptem a ambientes diversificados de trabalho.”

Comecemos. A sociedade de hoje...” Veja que estamos falando deste momento, especificamente. Entretanto, se a situação já não é das melhores, é ainda mais complexa se nos lembrarmos de que a educação, e notadamente, o conhecimento gerado hoje, deverá ser usado ao longo da vida, numa sociedade que sequer conhecemos. Trata-se de preparar pessoas para um mundo com desafios ainda maiores.

Continuando: “...requer indivíduos criativos, empreendedores, críticos...”. Se confrontarmos esses quesitos com o que encontramos nas nossas escolas atualmente, entenderemos de imediato a razão pela qual os alunos preferem estar em outro lugar ao invés das salas de aula. Nelas nos defrontamos com um volume excessivo de conteúdos (maioria deles desconectados da realidade prática dos alunos), onde não há espaço para a criação e as descobertas. Tudo já vem pronto e embalado. Ao aluno cabe, na grande maioria das vezes, apenas decorar. Sequer imagina onde, no seu cotidiano, aquilo lhe será útil. Ao exercitar o lado crítico em relação a tudo isso, ele apenas é repreendido pelo professor, por estar atrapalhando a aula e questionando as verdades absolutas que lhe são repassadas. Inútil, portanto, remar contra a maré. Nessa situação, o aluno se vê tolhido do desenvolvimento da habilidade que lhe será, esta sim, tão importante na vida.

A outra habilidade, a de empreender, igualmente passa longe das carteiras das escolas. O tema, entretanto, começa a despontar como uma possibilidade interessante para compor os currículos. Recentemente, desenvolvemos todo um projeto voltado para o desenvolvimento de habilidades empreendedoras, sob demanda de uma grande rede de educação. O mesmo aconteceu com uma escola de Belo Horizonte para a qual trabalhamos. Ela inseriu a disciplina como módulo, dentro do próprio currículo regular, em algumas das suas séries. Agora, mais que isso, a estamos assessorando para que as habilidades empreendedoras tenham seus fundamentos disseminados desde a educação infantil. Um avanço que só está se tornando realidade porque a direção da escola resolveu, ela própria, ser crítica, criativa e empreendedora.

Seguindo, temos “...familiarizados com o mundo digital...”. Aí a enorme trombada com a estrutura vigente nas escolas. O grande dilema é em relação aos professores. Uma visão arcaica e corporativista, fomentada muitas vezes pelos organismos representativos da categoria, torna a missão mais árdua. Do outro lado, é bom lembrar, os alunos já são familiarizados com o mundo digital. E tendem a ser, naturalmente, cada vez mais, pois já são parte de um mundo conectado. A questão fundamental é, portanto, tornar professores, lideranças e gestores também familiarizados com esse universo. Se a distância entre as gerações fortalece a dificuldade, entretanto, as tecnologias estão cada vez mais amigáveis e a sua utilização requer apenas um pouco de abertura pessoal. Há dez anos previ, em um artigo, a introdução do professor holográfico nas salas de aula. Não estamos longe disso. E se pensarmos no futuro dos nossos alunos, esta será, com toda certeza, a realidade do ambiente tecnológico por onde transitarão.

Voltando ao enunciado, temos  “...que se comuniquem bem e que se adaptem a ambientes diversificados de trabalho.” A comunicação é matéria-prima para a aquisição de conhecimentos, habilidades e competências, tanto agora quanto ao longo deste século. Uma recente pesquisa[1] promovida pela Corporate junto aos gestores e lideranças educacionais apontou a Comunicação Interna (71,43%) como a sua principal preocupação, seguida de “baixa qualidade dos profissionais” (57,14%) e “Liderança” (42,86%). A pergunta natural é: como desenvolver pessoas que se comunicam bem quando a própria estrutura da escola não é eficiente nesse quesito?

O mesmo raciocínio vale para o a adaptação a “ambientes diversificados de trabalho”. A escola mantém, por séculos, a mesma estrutura de ambientação, com salas de aula padronizadas, carteiras em fila, pátios para recreio, auditórios e por aí vai. Na era dos ambientes Wi-Fi e dos smartphones com acesso à internet, laboratórios de informática ainda são construídos, como sinal “de vanguarda”. Daí... sem mais comentários...

A mensagem subliminar é que tanto as estruturas operacionais das escolas, quanto a capacitação e preparo das principais lideranças e docentes, necessitam urgentemente de uma ruptura nas suas premissas e nas metodologias existentes. Para tanto, mais que nunca as direções educacionais precisam romper com modelos que já exauriram e incrementar ações que levem à essa nova perspectiva educacional. Nesse aspecto, cursos e programas de capacitação[2] merecem atenção, em especial aqueles voltados para as lideranças e educadores.

Da mesma maneira, é importante introduzir novas perspectivas de desenvolvimento para os alunos, como projetos de empreendedorismo[3] e outros que façam aflorar suas habilidades e tornar a escola um lugar mais prazeroso para estar.

Essas são reflexões importantes e pertinentes ao atual estágio em que a educação se encontra. Caro gestor, sua hora de empreender é agora.



[1] Pesquisa com respostas múltiplas (dados relativos a 08/04/2014)
[2] A Corporate preparou alguns cursos para lideranças, gestores e educadores visando o desenvolvimento de competências em áreas como comunicação interpessoal, gestão de pessoas e fundamentos de estratégia educacional. Entre em contato conosco pelo email: contato@corporateconsultoria.com.
[3] A Corporate, em parceria com a Sapien, desenvolveu ferramentas para o desenvolvimento de empreendedorismo nas escolas. Entre em contato conosco pelo email: contato@corporateconsultoria.com e conheça essas novidades.

quarta-feira, julho 23, 2014

Projetos e games na pauta
Marcelo Freitas

Uma das grandes questões que desafiam as escolas de hoje é, sem dúvida, encontrar um novo caminho para o processo de ensino e aprendizagem. No mundo inteiro, escolas e seus educadores trabalham para alinhar as metodologias aos novos tempos de informação Just in Time. Algumas dessas experiências, felizmente, já dão sinal de vida.

Imagine uma faculdade sem aulas, nem provas e na qual é possível se formar no tempo que os estudantes quiserem ou conseguirem? Ela existe nos Estados Unidos e atende pelo nome de College for America[1].
Para se formar nessa escola, uma instituição fundada em outubro de 2013 e ligada à Universidade do Sul de Nova Hampshire, os alunos precisam realizar projetos que comprovem que eles desenvolveram um conjunto de competências exigidas pelo programa. E isso ocorre somente através de interação on-line.

O projeto foi desenvolvido a partir do laboratório de inovação, criado pela universidade, para atender as pessoas que já estão no mercado de trabalho, mas sentem necessidade de melhorar sua formação para conquistar melhores oportunidades, uma realidade também muito comum no Brasil, onde apenas 12% dos que têm 25 anos ou mais têm curso superior completo. Daí a flexibilidade.

Preocupada com o futuro da educação superior nos Estados Unidos, cujo modelo atual enfrenta dificuldades de financiamento (o volume de empréstimos estudantis supera o de créditos disponíveis) o projeto foi desenvolvido para ter o preço, como grande diferencial. A anuidade custa US$ 2.500, o que representa pelo menos a metade do que é cobrado por cursos semelhantes em instituições voltadas a alunos de menor renda, os chamados community colleges. Para alcançar esse patamar, o projeto recebeu apoio e financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates, o que  permitiu fundar a nova faculdade.

Este é outro bom exemplo para os nossos gestores educacionais. Ele demonstra a necessidade de abertura e envolvimento da escola com outros agentes da sociedade, no sentido de financiar as suas operações, reduzindo-se a dependência das mensalidades.

Como os alunos não têm obrigação de assistir a aulas, algumas pessoas que participaram da fase piloto, que começou em janeiro de 2013, já foram diplomados. Outras, com menos disponibilidade ou mais dificuldades, poderão demorar mais do que tempo considerado usual. O referido diploma, ao qual os alunos têm acesso na College for America, é um “Associate Degree”, uma formação sem equivalência no ensino superior brasileiro, que compreende um curso de formação de tecnólogos (também correspondente aos dois primeiros anos de um bacharelado nos EUA).

A participação da College for America ainda é insignificante no contexto das mais de 1.000 community colleges, que atendem 13 milhões[2] de alunos nos EUA, mas seu ritmo de crescimento é acelerado. Em junho de 2012, quando o laboratório que inventou o modelo foi criado, quatro pessoas trabalhavam nele. Hoje, com cerca de 50 funcionários, atende 500 alunos, número que cresce todos os meses. Por enquanto, só é possível participar do programa quem for indicado por uma empresa ou associação comunitária, que normalmente também fornece um auxílio para se pagar pelo curso. Mas a ambição dos criadores é transformá-lo num modelo que possa ser replicado e diversifique o ensino superior nos EUA.

A ideia, e a operação, são interessantes. Os estudantes da College for America têm acesso a um sistema on-line onde encontram instruções, recursos, fontes e indicações de onde devem pesquisar o que não sabem ainda para realizar os projetos, assim como as competências que precisam cumprir e os critérios pelos quais serão avaliados. Cada um deles também conversa desde o início com um tutor, que o ajuda a definir e planejar os projetos a serem feitos, tira dúvidas e tenta antecipar dificuldades que podem surgir.

Para receber o diploma, é preciso realizar de 20 a 55 projetos, dependendo da complexidade de cada uma dessas atividades. Alguns são menores, como escrever uma redação, e outros maiores, como uma tarefa de história da arte em que os alunos devem criar uma exposição virtual de um museu e ensinar como observar os trabalhos artísticos, como se fossem um guia. Ao todo, os estudantes devem comprovar 120 competências em áreas como comunicação, pensamento crítico e negócios.

Uma vez concluídos, os projetos são submetidos a uma comissão que os analisa a partir de rubricas em até 48 horas. Isso significa que os avaliadores observam uma série de critérios que, por sua vez, correspondem às competências exigidas. Se os alunos atingem o esperado, seguem em frente. Se não, recebem um relatório com comentários sobre cada critério.

Esse modelo de avaliação, totalmente focado em projetos, deixa bem claro para os alunos o que é exigido deles e o que eles devem cumprir.

O conceito de aprendizagem por projetos não é novo. Entretanto, nem sempre é bem utilizado e avaliado. Um projeto desenvolvido para o curso “Fundamentos de Estratégia para Gestores Empreendedores”[3], tem inovado nesse sentido. Nele os participantes trabalham conceitos de estratégia empreendedora utilizando um simulador, no formato de game. Assim, ao mesmo tempo em que aprendem os conceitos, os participantes os colocam em prática e verificam quais foram os resultados produzidos por suas estratégias, a partir de indicadores e metas contidos no game e definidos pelos participantes.

Cursos como este e ideias como a da College of America são uma boa maneira de educadores e gestores educacionais explorarem novos modelos e usos de projetos e metodologias, que podem mudar o rumo dos processos de ensino e aprendizagem.



Artigo publicado pela Revista Linha Direta

[1] Fonte: Porvir (fragmentos)
[2] Fonte: Dados da AACC (American Association of Community Colleges), de 2011.
[3] Curso oferecido na modalidade “in company” pelo Movimento Escola Responsável. Obtenha maiores detalhes através do email contato@escolaresponsavel.com

quinta-feira, abril 17, 2014

Gestão de Talentos

Pesquisa mostra que a Holanda é o país que melhor sabe aproveitar seus talentos, enquanto Índia e China ficaram nas piores colocações

Fonte: http://epoca.globo.com/vida/vida-util/carreira/noticia/2014/04/profissionais-brasileiros-precisam-se-badaptar-melhorb-diz-estudo-do-linkedin.html

Você tem a capacidade de se adaptar às necessidades do mercado de trabalho? Um novo estudo publicado pela cosultoria PwC, a pedido da rede social LinkedIn, avaliou o talento de adaptação de profissionais e das empresas em 11 países diferentes, entre eles o Brasil. O estudo mostra que saber usar suas habilidades em diferentes cenários e situações pode melhorar a economia brasileira em até US$ 11 bilhões.

Segundo o estudo, a falta de adaptação atrapalha a vida das empresas na hora de encontrar novos talentos, e prejudica a carreira de profissionais, que têm mais dificuldade de encontrar cargos promissores. A Holanda é o país que melhor sabe aproveitar seus talentos, enquanto Índia e China ficaram nas piores colocações no ranking da PwC.

O que os profissionais brasileiros podem fazer para melhorar sua habilidade de adaptação? Segundo o estudo, os profissionais devem olhar além das fronteiras da sua carreira, se antecipar no desenvolvimento de novas habilidades (como aprender uma segunda língua), e construir uma rede de contatos onde possa mostrar suas habilidades.
Confira os principais resultados do estudo.